segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Vacinas

Como puderam constatar, levo uma grande quantidade de medicamentos, e esqueci-me de acrescentar as 4 caixas de comprimidos anti-maláricos.

Quanto às vacinas, não foi fácil reunir a informação das que são obrigatórias nos diversos países. Afinal de contas preciso de uma profilaxia global!!!
Conseguem imaginar a cara de pânico quando cheguei ao pé da médica e lhe disse que ia dar uma volta ao mundo? Ía-lhe dando uma coisinha má! Nem sabia para onde é que havia de se virar. Mas ainda bem que levei uma lista com medicamentos (a dos primeiros socorros) e com as vacinas que previa serem necessárias.

Só uma nota, actualmente só em África é que ainda há alguns focos de cólera, pelo que não foi necessário tomar esta vacina.

Das vacinas que tinha inicialmente listado, algumas ainda estavam válidas de viagens anteriores, pelo que não precisei de tomar todas. No entanto, para uma viagem desta envergadura recomendam-se as seguintes:

· Tuberculose
· Difteria / Tétano
· Hepatites A e B
· Poliomielite
· Sarampo / Papeira / Rubéola
· Encefalite japonesa
· Encefalite da carraça
· Meningite
· Raiva
· Febre tifóide
· Febre amarela
· Cólera (esta não é precisa)

Só para terem uma ideia, a vacina da Encefalite Japonesa, que são três doses, custa mais de 40€ cada uma. A da Encefalite da Carraça e as da Raiva, qualquer uma são três doses, ronda também os 40€ e os 35€ respectivamente (preço de custo).

Para as vacinas fui ao Hospital Militar de Belém, onde já tinha ido noutras ocasiões, sempre por motivos de medicina preventiva, para viagens. É o único sítio em Lisboa onde têm a vacina da Encefalite Japonesa (indispensável para o Sudeste Asiático, principalmente em zonas não urbanas, i.e., montanha, selva, pântanos…), por isso não me valia nada ir ao Instituto de Higiene e Medicina Tropical para ter que lá voltar.

Tenho ainda a agradecer, e muito, à Dona Elisa e ao Enfermeiro Campos, que me deram um apoio incondicional (daqueles palavrões bonitos que ficam bem numa frase). Dona Elisa, se me estiver a ouvir, eu não me esqueci do que lhe prometi, quando voltar da viagem aguarde uma visita minha onde lhe irei conceder alvíssaras (esta têm de ir ver ao dicionário, não vos digo o que é).

Já agora, se alguém passar perto do H. M. Belém, faça o favor de lhe ir lá dar um beijinho (Medicina Preventiva).

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Listagens – II

Hoje segue a segunda parte das listagens de material que vou levar.

Podem ter reparado que não inclui na listagem anterior uma escova de dentes… será que vou passar um ano sem lavar os dentes?!?!?!?! NÃO!!! Mas não quer dizer que não a leve. Está sim incluída numa nova categoria:

Nécessaire:

· Escova de dentes
· Pasta de dentes
· Fio dental
· Desodorizante
· Champoo
· Sabonete
· Lâmina barbear
· Perfume
· Pente
· Corta-unhas
· Lima
· Pinça

Como não sei o que me espera ao longo da viagem, convém ir prevenido com uma pequena farmácia itinerante, e um estojo de pequenos socorros. Estes vão dentro da mochila (onde mais?) e num Tupperware, para irem devidamente selados e acondicionados.

Primeiros socorros:

· Ligaduras elásticas
· Gazes
· Pensos
· Compeed (para bolhas)
· Creme queimaduras e picadas
· Anti-histamínico
· Anti-fungico tópico (com cortisona)
· Paracetamol
· Laxantes
· Antidiarreicos
· Carteiras de rehidratação / sais
· Comprimidos malária
· Cânfora
· Iodo (desinfectar feridas e purificar água)
· Toalhetes anticépticos

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Listagens – I

Como sobreviver um ano fora de casa, sendo completamente auto-suficiente?

Após pesquisa intensa consegui compilar o material que considero essencial para a viagem. Obviamente que posso levar mais coisas, mas o objectivo é carregar não mais do que 11 ou 12kg às costas, senão cansa-me muito, é complicado para correr (se for preciso apanhar um comboio ou fugir à frente dos ciganos), e dá-me cabo das costas (ficava como o Corcunda de Notre-Dame).

11kg de bagagem para uma viagem de um ano? Conheço pessoas que para irem 15 dias de férias levam 20 ou 30kg!!!

É verdade, mas esses costumam ir para um hotel, andar de táxi, ter um bagageiro à disposição, etc. Eu vou ter mesmo que arcar com o peso no lombo!

Para já, em termos de roupa e de equipamento genérico, o que levo é:

· 2 Mochilas (uma grande, de campismo, e outra para exploração diária)
· 2 Calças
· 1 Camisa polipropileno
· 2 T-shirt manga curta
· 1 Longsleeve
· 1 Camisola / casaco microfleece
· 2 Calção de banho
· 1 Ténis
· 1 Chinelos
· 1 Poncho de plástico para chuva
· 1 Sarong (também conhecidos por pareo – lenços que as miúdas utilizam para a praia. Dá uma excelente toalha de praia, e mesmo um saiote para utilizar nas pousadas. E não, nem todos são cor-de-rosa)
· 1 Lenço / bandana
· 1 Toalha de viagem ultra absorvente
· Meias
· Boxers

· Lençol
· Lanterna cabeça (frontal)
· Fio de nylon
· Sabão para roupa
· 2 Molas
· Papel higiénico
· Kit costura
· Marcador / caneta acetato
· Fita isoladora
· Isqueiro
· Canivete
· Colher
· Prato
· Tampão de borracha (universal) para lavatórios
· Máquina fotográfica (com carregador)
· Cartões de memória
· USB - Pen
· Conversores de tomadas
· Fotocópias dos documentos
· Relógio despertador
· Caderno & caneta
· Cunha de madeira ou plástico, para prender as portas
· Capa de chuva para a mochila


Grande parte dos items já cá estão, outros tenho ainda que os comprar.

Para que não fiquem com dúvidas, tanto a camisa como as calças deverão ser “wrinkle-free”, e de tecidos que sequem muito rapidamente (como o polipropileno). Por exemplo, não levo calças de ganga porque são uma trabalheira a lavar, e depois demoram 2 ou 3 dias para secar. Nada disso, quero coisas que sejam laváveis à noite, e que de manhã estejam prontas a usar.

Amanhã continuo a apresentação das listagens…

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Itinerário:

Nota introdutória: hoje em dia, é possível ir a várias companhias de aviação e comprar um bilhete único que permita dar a volta ao mundo – Round The World (RTW) Ticket. Este bilhete tem algumas restrições: só se pode viajar num sentido (Oeste-Este ou Este-Oeste), existe um número definido de paragens que se pode fazer, etc… e a verdade é que, em 36 horas era possível fazer uma circum-aviação(!) ao Globo, o que era excelente para um fim-de-semana.
Imaginam-se num sábado de manhã, com uma pequena mochila às costas a despedirem-se: “Mãe, vou dar uma volta ao Mundo, mas estou de volta amanhã para jantar!”??? Pois é, muito fácil, e muito rápido. Mas não é o que me move. Exactamente! Para mim, o transporte de eleição será sempre o autocarro e o comboio ou, no caso de qualquer um dos dois não estar disponível, o barco. Não sou fundamentalista, não faço birra a dizer que não ando de avião aliás o primeiro trecho da viajem é atravessar o Atlântico de avião, mas sempre que puder, evito. Lá está: é rápido de mais e muito impessoal. Se é para ver, é para ver, se é para conhecer, é para conhecer, se é para viajar, então é por terra ou por mar (que bonito!).

Feita esta pequena nota, apresento então o itinerário (para já) equacionado:

Sair de Lisboa de avião até aos States (NYC), atravessar de costa a costa (seguir parte da mítica Route 66) e descer o México. Depois é ir sempre para sul: Belize, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá. Sempre de autocarro, comboio ou, onde possível, à boleia.
Aqui a situação complica-se: a travessia entre o Panamá e a Colômbia não é muito pacífica. Existe uma região denominada de Hiato de Dárian (Darian Gap) que não é muito famosa – basicamente é um ambiente de selva, com estradas de picada muito degradadas e cujo território é densamente ocupado por guerrilheiros das FARC e não me apetecia muito ser raptado e passar 6 anos em cativeiro no mato – mas neste caso vou tentar uma travessia de barco. Se não conseguir nada, então terá de ser de avião, mas apenas como último recurso.
Nesta altura, tenho uma dúvida: o que é certo é que eu gostava de continuar pela Venezuela, pela Guiana e pelo Suriname, sendo que depois entrava pela selva amazónica e subia o rio Amazonas até chegar ao Peru. Se não for possível, sigo pelo Equador e depois Peru.
Continuando: Peru, Bolívia, Chile (norte), Argentina (norte), Paraguai e entrar no Brasil. Dar um passeio pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre e, passando pelo Uruguai ou não, entrar na Argentina (centro). Aqui, Buenos Aires e sul até à Patagónia e à Terra de Fogo. Voltar a subir e visitar o Chile (sul e centro).
Em Santiago, o que era mesmo espectacular era apanhar um voo com destino à Austrália, mas que fizesse escala na Ilha da Páscoa. Este percurso era espectacular, mas creio que não será possível porque os voos são circulares Santiago-Páscoa-Santiago, não continuam para a Austrália, e porque os cargueiros que passam naquele ponto do oceano são algo incertos, nada me garante que consigo arranjar um cargueiro da Páscoa para Oeste. É uma questão a confirmar em Santiago.
Então Chile - Austrália, e depois voltar um pouco atrás até à Nova Zelândia. Regressar à Austrália, dar uma volta à ilha. Neste ponto coloca-se uma dúvida: as ilhas do Pacifico. Devem ser espectaculares, mas também muito caras… por alguma razão também não vou às Caraíbas. O principal problema é esse: são todas muito distantes, as viagens são caras e o custo de vida nas ilhas também não é barato. Mais uma questão a confirmar no local, pode ser que em alguma marina seja preciso um tripulante para um cruzeiro por esses lados… =)
De volta à Austrália, direcção Norte, para a Papua Nova Guiné, Indonésia, Singapura, Malásia, Tailândia, Burma, Cambodja, Vietname, Laos, China… atravessar a China pela costa e subir até à Coreia do Sul, gostava de visitar também a Coreia do Norte, mas a questão dos visto é sempre um problema. Retornar à China continental e, vindo pelo interior, atravessar a Mongólia, novamente pela China até ao Butão, Nepal e entrar na Índia, onde prevejo dar uma volta circular no sub-continente indiano. Seguir pelo Paquistão e (mais uma dúvida) atravessar o Afeganistão(?) ao seguir para o Irão. Depois do Irão era bonito conseguir atravessar o Iraque até à Jordânia, ir até Israel, e subir pela Síria até à Turquia. Será exequível?
Na Turquia, já Europa, era vir ao sabor da corrente: Grécia, (algum país), Croácia, Eslovénia, Áustria(?), Itália(?), França, Espanha, Portugal….

Ambicioso? Sem dúvida. Realista? Se calhar não. Logo se vê como corre. Há muitos destinos que agora me parecem muito bem e que eu gostava muito de ir visitar, mas que só na altura é que posso ver se é possível. Situações naturais, políticas e sociais vão, com certeza, condicionar o meu itinerário. Só na altura é que posso tomar essa decisão.

Uma questão que muitas vezes me colocam é o porquê de seguir no sentido Este-Oeste e não o inverso. Para mim a resposta é muito simples e directa: considero que é-me muito mais fácil começar por uma viagem de avião e depois chegar à Europa e a casa por terra, de forma faseada, do que o contrário, que era estar nos Estados Unidos, depois de uma viagem que imagino enorme, e de repente apanho um avião e 8h depois PAM estou em casa. Whow! Não, acho que seria um choque demasiado grande. Assim vou-me aproximando ao meu ritmo, com tempo para habituação, e sem choques culturais… se quiser acelerar, acelero, se quiser atrasar, atraso… faseadamente… sem stress…

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Inauguração… apresentação do projecto

Eis que finalmente surge o Blog associado a este grande projecto pessoal que é a minha Big Trip Around The World.

Para quem não me conhece, deixo-vos um pequeno resumo da minha pessoa.

Chamo-me Francisco mas podem-me chamar de Quico que é mais curto, tenho neste momento 25 anos, fui gerado e criado em Lisboa. Fui escuteiro cerca de 14 anos, tendo recentemente deixado o movimento (o movimento, nunca o espírito).
Tirei uma licenciatura em Gestão e aos 22 anos comecei a trabalhar na Deloitte. É verdade, sei que é “raro” nos dias de hoje, mas nunca perdi um ano nos estudos.

Portanto, estive 3 anos a trabalhar e a poupar para poder reunir os recursos necessários (leia-se, €€€) para poder cumprir esta etapa do meu percurso pessoal de vida.
Como até agora sempre vivi em casa dos papás, que me garantiam a alimentação, a roupa lavada (e passada a ferro), e o não ter de pagar rendas, contas ou sustentar a família, todos os meses ia pondo de lado uns trocos e, grão a grão… juntei o que considero ser suficiente para este empreendimento.

Desde cedo comecei a viajar e, …espanto… parece que gosto! Açores, Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Escócia, Eslováquia, França, Holanda, Hungria, Inglaterra, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Madeira, Marrocos, México, Moçambique, Rep. Checa, Suiça, Tailândia, Taiwan fazem a lista dos países que já visitei. Como? Com os pais, com amigos, com os escuteiros, à custa de alguns sacrifícios, de opções difíceis, de desentendimentos familiares também… há de tudo um pouco, mas a verdade é que se foram proporcionando e eu, na minha modesta humildade, fiz-lhes a vontade.

Pois é, depois de já ter visto tanto, parece que o bichinho cá dentro ainda não se deu por satisfeito e queria mais… muito mais….

Andava eu na universidade e já me ouviam falar deste projecto: dar uma volta ao mundo, sozinho, de mochila às costas, sem compromissos, ao meu ritmo, visitando o que me desse, dormindo onde pudesse. Falar é bonito, mas não faz o meu género. Eu primeiro faço, depois falo. Obviamente que isto não era uma simples matéria corriqueira, e não podia fazer primeiro para contar às pessoas depois. Então abri essa excepção. Fui contando às pessoas mais próximas o que pretendia fazer. Reacções? Diversas! “Espectacular”, “És um granda maluco”, “Já estava à espera”, “És louco”, “Vais deitar fora a tua carreira”, “Muita fixe”“Vais dar cabo da tua vida”, “Eh, também quero”, …, fizeram todo o tipo de comentários. Aos negativos, registei, analisei e ponderei se seriam assim tão verdadeiros como me queriam fazer parecer; aos positivos, aproveitei-os para me motivarem e para darem a força de vontade necessária para continuar.

E a ideia foi crescendo, o planeamento tornou-se mais objectivo, as pesquisas intensificaram-se, a leitura de literatura de viagens também, e comecei a definir um itinerário, um plano de acção e a estabelecer metas e deadlines. A organizar listagens do que tinha que levar (roupa, equipamento diverso, estojo primeiros socorros, nécessaire, documentos, vacinas…), de contactos, de tarefas que tinha que fazer antes de sair. Enfim, uma miríade de pequenas coisas que não podiam ficar esquecidas.

Finalmente, tudo aconteceu. O trabalho não correu como eu esperava o que, se eu já estava com algumas dúvidas quanto à continuação na empresa, acabou por retirar as restantes, não tenho obrigações conjugais, casa ou carro para pagar, reuni o capital necessário, tenho quase todo o equipamento reunido. É a altura ideal, se não for agora acho que já não vai ser.

Então vai mesmo ser!!!

MUNDO, AQUI VOU EU!!!


PS - Este é o meu primeiro Blog e a primeira vez que escrevo para uma audiência . Embora a mim, pessoalmente, não me pareça que esteja a ficar mal, também tenho consciência que não está nada de extraordinário. Pode ser que com o hábito vá definindo um estilo mais coerente...