domingo, 26 de outubro de 2008

Sentimentos...

Até agora tenho-me cingido por uma escrita mais racional e factual. Há no entanto um tema que, numa viagem como esta, não pode ser esquecido: sentimentos, emoções.
A verdade é que não é fácil sair assim de casa, da nossa zona de conforto, em que controlamos o nosso dia a dia e em que mergulhamos numa rotina mais ou menos definida, para abraçarmos um projecto deste género, um ano na estrada, sem saber exactamente onde.
Os últimos dias antes da viagem foram vividos num impasse: por um lado pensava em tudo o que deixava para trás, família, namorada, amigos, trabalho, a segurança do lar; mas por outro, para me animar e dar força, fazia por pensar no que ia ver, nas pessoas que ia conhecer, no esforço que tinha feito para a concretização deste projecto. A verdade é que, agora que cá estou, parece-me tudo muito mais fácil, se calhar também porque estou em casa de uma amiga, o que significa algum nível de conforto, segurança e confiança, saber que se me acontecer alguma coisa, facilmente consigo obter ajuda.
Na semana que antecedeu a minha partida visitei os membros da família mais chegados, tentei passar algum tempo de qualidade com a miúda e fiz um jantar de despedida com os amigos e, durante estes períodos, houve momentos muito emotivos, em que um olhar ou um gesto facilmente substituíram as palavras. Momentos eventualmente tristes, mas verdadeiros.

E pronto, vamos a terminar com este discurso lamechas (isto sou eu a fazer-me de durão) e voltamos aos factos.

New York.
Espectacular!
Já dei algumas voltas pela cidade, principalmente por Manhattan. Como é uma cidade plana e está realmente organizada segundo uma esquadria, é muito simpática para se andar a pé. Já fiz uns kms valentes.
Grande parte da cidade tem prédios bastante antigos, mas bem giros: muitos em tijolo maciço, com as escadas de incêndio em metal. Uma característica que consegui constatar é que, por serem velhas, as casas já não são muito certas o chão dos apartamentos e as escadas são inclinados. Mas também, o que esperar de casas com 200 ou 300 anos?


Também reparei que, devido ao tamanho dos prédios, Manhattan é um pouco escura, o sol não entra muito na cidade. Em Williamsburg, onde estou, os prédios são mais baixos, entre os 3 e os 4 andares, o que faz com que seja mais soalheiro. Também as ruas são um pouco mais largas aqui. Williamsburg é uma zona residencial dentro de Brooklyn. É só atravessar a ponte e estou em Manhattan. É um bairro que começa agora a ficar na moda entre os Nova Yorkinos e, como tal, os preços das rendas estão a começar a subir. No entanto, tudo o que uma pessoa necessita no dia-a-dia, está aqui perto. É um bairro muito porreiro.
Quanto ao andar na rua, embora 90% da população utilize street wear, não é por isso que são marginais. Apenas pessoas práticas. Aliás, como tem tanta gente de tanto lugar diferente e com culturas diversas, o espírito predominante é muito liberal, sem julgamento de imagens ou carácter (prova disso é a quantidade de meias brancas que se vêem em toda a gente).

Câmara da cidade
Supremo tribunal

Central Park - numa das partes do parque, que é gigante, estava a decorrer um concurso de abóboras esculpidas para angariação de fundos para uma instituição de ajuda a crianças com doenças terminais.

MOMA (Museum Of Modern Art) que, às sextas feiras, entre as 4 e as 8 é gratuito.

Ruas da cidade - por vezes fecham determinada rua para fazerem feiras. Já estive em duas: uma era com comes e bebes, colares, pulseiras e roupa barata, quase como se fosse a feira da ladra, e com uma banda de jazz muito interessante; a outra era quase só de produtos agrícolas (muitos de origem biologica).




Quanto a mim, já me consigo orientar perfeitamente no metro a apanhar as linhas e direcções correctas, e até consigo apanhar metros expresso (que não param em todas as paragens). Também para telefonar duma cabine telefónica o estranho é ter que marcar sempre o 1 do indicativo internacional. É como ligar para alguém em Portugal e ter de começar a ligação com o 351 + número. Ainda não é para agora, mas do que vi, é uma cidade em que me parece que eu era capaz de viver. Embora uma abordagem inicial seja difícil, as pessoas são bastante simpáticas. Por duas ou três vezes estava eu na rua com o mapa aberto e vieram perguntar-me se precisava de ajuda para me orientar. Mesmo sem eu ter perguntado nada.

Quanto ao tempo, tem estado o céu limpo. Só ontem é que choveu e por isso fomos para casa de um amigo ver filmes: só assim por acaso tem um projector na sala, o que faz com que tenha uma televisão de +- 2 metros de diagonal. Ah, esquecia-me, tem também um sistema semelhante ao MEO (com TV cabo, Internet, Video on Demand e telefone) a diferença é que tem uns 2000 canais(!!!), o video on demand é gratuito, o disco rigido do sistema tem 300Gb e este tipo de serviço já existe a mais de 5 anos. É apenas o lag que Portugal têm... (apenas como curiosidade, para quem quiser saber, ele paga 150 dólares por mês).

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Controlo de emigração - quem precisa dele?

O que melhor para começar uma viagem à volta do mundo do que ficar em casa??? Era o que quase me ia acontecendo. Confundidos? Passo a explicar. Quinta-feira, de manhãzinha, lá vou eu todo contente até ao aeroporto para apanhar o avião. Quando chego ao check-in, ainda antes de entregar a mochila (e a minha casa para o próximo ano), uma senhora simpática pede-me o passaporte e começa a fazer-me algumas perguntas. Para onde vou, quanto tempo... e eis que chega a uma que (...) deu barraca!:
-Então e bilhete de saída, tem?
-Bilhete de saída? Não, vou sair pela fronteira terrestre através do México.
-Ah, ok, então não há problema. Então e bilhete de saída do México?
- Bilhete de saída do México? Também não, vou seguir sempre por terra em direcção à Guatemala ou ao Belize.
E foi aqui que a coisa se começou a complicar:
-Isso é que não pode ser. Para o deixar embarcar precisa de ter um bilhete de saída dos EUA ou de qualquer país adjacente (leia-se México, Canadá ou Bahamas).
-Não tenho. Vou dar uma volta ao mundo maioritariamente em autocarro e comboio, por isso não tenho bilhete de saída. Então e agora?
Bem, gerou-se a confusão! Porque sem bilhete eu chegava aos EUA e deportavam-me e como tal eu pagava uma multa e a companhia de aviação também. Como bom português que sou disponibilizei-me logo para ir a correr reservar um bilhete através da net e imprimir o comprovativo (que é a unica coisa que eles precisam). Mas se eu fosse fazer isso o check-in encerrava e eu já não embarcava. Supervisor ao barulho, muita dúvida e muita conversa e ele lá me deixou fazer o check-in, colocando uma restrição à bagagem cujo embarque ficava bloqueado até ele dizer. Entretanto depois disso fomos à procura de um acesso à net para, à frente dele, reservar um bilhete, lhe mostrar a impressão e para ele desbloquear a bagagem. Enfim, um filme só para me meterem no avião!
Ainda me hão-de explicar o porquê dos EUA terem de saber e dominar tudo. Porque razão não poderia eu seguir até à Guatemala sempre por estrada. Quando cheguei a casa contei o episódio aos americanos que cá moram e nem eles acreditavam. Que era uma estupidez e que os EUA não tinham o direito de fazer isso.
Ao chegar ao lado de cá do oceano, imigração. Tudo muito bem, passaporte, impressão digital (indicador esquerdo, indicador direito), fotografia, até que começa a conversa:
-Quanto tempo cá vai ficar?
-1 mês
-A que se deve a sua visita?
-Venho visitar uma amiga.
-Então e o que é que faz?
-Trabalho numa empresa de consultoria. A Deloitte.
-Não conheço.
-É americana acrescento eu.
-Presumo que tenha bilhete de volta?
-Tenho.
-Posso ver?
-Claro - mostro-lhe o bilhete.
-Se bem estou a perceber aqui diz que volta no dia 24 de Dezembro (o dia para que tinha comprado o bilhete). Isso são dois meses.
-Sim, mas aí também diz que eu vou sair da Cidade do México. Vou estar nos EUA um mês, o outro é para andar no México.
-Ah. Estou a ver. Então o seu patrão deu-lhe 2 meses de férias?
Confesso que aí começei a sentir as pernas a tremer, já me estava a ver recambiado para casa e a ser o feliz protagonista da volta ao mundo mais rápida da história!
-Sim, deu.
-2 meses?
-Sim!
-Hum, - não muito convencido - está bem. Então e quantos volumes de bagagem é que trás?
E eu: -Um.
-Então para dois meses trás apenas 1 mala?
Desculpa à pressão: -Tenho que viajar leve porque vamos até ao México de autocarro e por isso não posso ir muito carregado.
Bem, lá me mandou um outro "Estou a ver". Ainda me desejou boa sorte, devolveu-me o passaporte e lá me deixou seguir caminho.
Mas que grande UFF que eu mandei quando saí dali.
Depois foi tranquilo: apanhar um autocarro para o centro da cidade (15$), sair na Port Authority, e descer a pé pela Broadway até à 28th, onde liguei à minha anfitreã para me ir buscar.
Comprei um passe de 7 dias para o metro (25$) e vim deixar as coisas a casa Williamsburg - Brooklin. Muito giro. Entro no metro em Manhattan em que é só prédios altos saio do outro lado onde é só prédios de 2, 3 ou 4 andares, ruas mais espaçosas e onde o sol ainda entrava.
Já demos uma voltinha aqui no bairro para eu me ambientar e ver se consigo dar com a casa sozinho. Parece-me uma zona muito boa. Muito perto de Manhattan (atravessar a Brooklyn Bridge) e muito calma. Já tive oportunidade de ver o skyline de Manhattan iluminado à noite deste lado do rio. Muito bom! É como ter um ecrãn panorâmico, um IMAX gigante mesmo à nossa frente.

Hoje como foi só para dar uma voltinha de habituação ainda não levei a máquina, mas por estes dias corrijo essa situação.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Partida

Eis que se aproxima o grande dia. Para quem não está ao corrente dos últimos desenvolvimentos, saio amanhã, dia 23, quinta-feira. Vou pela Continental Airlines (que curiosamente já me informaram que era um pouco má) e vou directo de Lisboa para New Jersey. A viagem há-de começar por Nova York, tal como tinha mencionado.

Entretanto nos últimos tempo tive bastante entretido a acabar os ultimos pormenores, a despedir-me da familia e de amigos, a passar algum tempo de qualidade com a namorada, já tomei as últimas vacinas. O facto de ter um acesso à Net algo limitado também não ajudou para arranjar vontade de vir escrever...

A mochila, ainda está por terminar... sempre a ultima coisa a ficar despachada. No entanto, como já espalhei tudo em cima da cama (para me obrigar a arrumá-la se me quiser deitar esta noite) já deu para ver que não levo muito. Devo ir relativamente leve. Melhor assim: é mais fácil se faltar alguma coisa comprar pelo caminho (até porque roupa e gear são mais baratos nos EUA) do que ir carregado com coisas a mais e depois não me querer desfazer delas ou estar a pagar mais para enviá-las por correio.

Até agora estou habituado a ir à praia e a fixar o horizonte a oeste à procura de terra. Agora irei fixar a este. Ontem via o pôr do sol, amanhã vejo-o a nascer. Como será que os americanos fazem? Não podem utilizar a mnenónica do Oeste (O – Oceano) e Este (E - Espanha).

Já só faltam umas horitas...

Até jááááá.....

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Procuração

Ontem fui novamente às vacinas. Quando cheguei lá, estava uma senhora a tomar a vacina da Gripe. Aparentemente, o pessoal do Hospital tem direito à mesma, pelo que havia uma grande listagem de pessoas que, supostamente, deveriam ir tomar a dolorosa. Quanto a mim, supostamente, tinha que tomar a segunda dose da Encefalite da Carraça e a da Raiva, mas como o enfermeiro de serviço estava bem disposto, e já que estava com a mão na massa, virou-se para mim e diz: “tomas também a da gripe, é mais uma fica…”. Confesso que com tudo o que já ouvi dizer desta vacina torci o nariz, e ainda tentei argumentar: “é mesmo necessário? Aparentemente toda a gente que toma essa vacina, passado uns dias, apanha uma gripe que tem de passar uma semana ou duas na cama.” Resposta: “é verdade, mas apanhas na mesma. Mal não faz!” Ah, pois, quer dizer… mal não faz, mas ficar uma ou duas semanitas de cama é mesmo o que me está a apetecer com mais força!!!

Bem, no fim lá me deu as três vacinas, ainda mandei aquela piada do “um dia destes se alguém me puxa o braço ele sai pelo picotado”, ah ah ah... check please.

Hoje fui ao notário escrever uma procuração para o meu pai. Para quê? Então, para lhe dar alguns direitos que possam ser necessários exercer aquando da minha ausência:
- movimentação (a débito e a crédito) de contas nos bancos;
- solicitar a emissão e cancelamento de cartões de débito ou de crédito e requisitar passwords online;
- aquisição, gestão e venda de valores mobiliários (acções, participações em fundos de investimentos, certificados de aforro, …);
- representação junto de repartições publicas ou administrativas (isto é para as Finanças e para a Segurança Social);
- representação junto de companhias de seguros e mediadoras, serviços postais ou empresas de transportes de bens e valores (CTT, FedEx, UPS, …), assinando avisos de recepção e documentos postais e levantando valores, encomendas ou correspondência;
- representação em juízo e poder para substabelecer a procuração num advogado ou num, procurador habilitado.

Para as minhas posses e responsabilidades, penso que seja o suficiente. Dá para pedir cartões de crédito e/ou débito caso os meus sejam roubados, dá para movimentar as massas caso eu não o consiga fazer, e dá para ser representante fiscal nas finanças (alguém tem de submeter o meu IRS, certo?).

Claro que se eu tivesse uma casa ou veículos em meu nome poderia dar poderes para arrendar ou vender ou o que quer que seja. Se tivesse participações (quotas) em alguma empresa poderia ceder os meus direitos, nomeadamente o de representação em assembleias legais, mas como não tenho nada disso, não fazia sentido incluir.

E é assim que vou entretendo os meus dias: a arrumar papeis, a comprar uma ou outra coisa que esteja em falta, enfim, a finalizar os preparativos…

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Desempregado...

Pois é. Desde 3ª feira que estou oficialmente no desemprego. Não por força da conjuntura económica – o grande papão que anda a assustar toda a gente – mas, pasme-se, por livre e espontânea vontade!!!

Não foi fácil, ter de arrumar todas as tralhas e despedir-me das pessoas. E depois é um sentimento estranho, não é como ir de férias em que se arruma minimamente a secretária para não incomodar ninguém e para ninguém nos mexer nas coisas, é arrumar mesmo tudo! E pensar: então e amanhã o que é que eu faço? Já não preciso de me levantar às 7h45… é estranho, foram 3 anos da minha vida a ver (quase) diariamente as mesmas pessoas e que agora vão-se eclipsar (praticamente todas).

Continuando. Estou a pensar sair ainda antes do fim do mês e preciso de tempo para organizar os últimos pormenores: idas aos bancos por causa dos cartões de crédito, idas aos notários para procurações, ir às finanças…and so on and so on.

Dito isto, 3ª foi ainda dia de mais duas vacinas, desta vez comecei as primeiras doses da Raiva e da Encefalite da Carraça (que também são 3 doses, no total). Já são as últimas que faltam tomar! Quando acabar quase que me arrancam o braço pelo picotado!

Hoje fui confirmar que o meu passaporte é de leitura óptica e, como tal, dispensa visto para a entrada nos EUA – todos os que foram emitidos depois de Janeiro de 2001 são de leitura óptica, como os passaportes portugueses têm uma validade de 5 anos, não deve haver ninguém que não tenha um destes, certo?

Aproveitei e fui pedir uma simulação para um seguro de viagens a uma mediadora onde me disseram que o período máximo que a seguradora envolvida (eu fui a uma mediadora, lembram-se?) dava de cobertura era de 60 dias. Entretanto liga para um, liga para outro e informaram a “menina” (esta é à Porto) que me estava a atender de que a Grupama fazia seguros deste tipo. Deixei lá bastante informação e estou à espera da simulação. De qualquer modo, na conversa com a “menina” esta estimou que não ficasse por menos de 1.500€ por um período de um ano e que, mesmo assim, poderia não cobrir todos os países.

Acho que vou mesmo optar pelo seguro da World Nomads (www.worldnomads.com) afinal de contas, é recomendada pela Lonely Planet e, para um seguro mundial, com excepção de Portugal, cobram 640€. Alguém sabe de outra oferta melhor? Aceitam-se propostas…

Entretanto como me desempreguei fiquei também sem PC, pelo que o acesso à net agora encontra-se condicionado pelas almas caridosas que me emprestam um. No fim-de-semana já deve vir o portátil e então já se torna mais fácil.

Não se esqueçam de ir comentando os posts.